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MRV prevê elevar gastos para manter ritmo de expansão.

31/03/2015

Incorporadora de origem mineira projeta desembolso total de R$8 bi entre 2015 e 2016.

MRV prevê elevar gastos para manter ritmo de expansão.

 A expansão operacional da MRV Engenharia nos dois últimos anos e a expectativa de manter, em 2015 e 2016, pelo menos o mesmo ritmo de lançamentos do ano passado vão se refletir em maiores investimentos da companhia neste biênio. A incorporadora projeta desembolsos totais de R$ 8 bilhões neste ano e no próximo, 18% superior aos R$  6,8 bilhões do biênio 2013-2014.

 
Os investimentos projetados abrangem aquisição de terrenos, compra de materiais, construção de empreendimentos e pagamentos de impostos, segundo o co-presidente da MRV, Eduardo Fischer. "Preciso comprar mais terrenos para manter a operação no mesmo patamar ou superior", afirma.
 
Segundo Fischer, nos próximos dois anos, a companhia vai pagar R$ 1,6 bilhão em salários diretos, sem considerar a mão de obra terceirizada e recolher mais de R$ 600 milhões em impostos.
 
A intenção da MRV que o ritmo de lançamentos de projetos seja pelo menos semelhante ao de 2014 destoa da sinalização da maior parte do setor de incorporação. Embora as empresas não tenham metas oficiais, o mercado espera nova retração do Valor Geral de Vendas (VGV) lançado em conjunto pelo setor.
 
A MRV produz imóveis para a baixa renda e, reiteradamente, divulga que há pouca concorrência no segmento. "Se não houver nenhum colapso (na economia), acredito que a resiliência desse mercado deve permanecer", afirma o co-presidente da MRV.
 
Do total lançado pela companhia no ano passado, 73% é elegível ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que possui taxas de financiamento menores do que as de mercado. "O financiamento do Minha Casa, Minha é atrelado à TR. As altas recentes da taxa de juros não afetam esse público", diz Fischer.
 
O executivo não detalha o desempenho de vendas da MRV no primeiro trimestre, mas diz que se trata de "vida normal", apesar do cenário econômico. Em relação aos preços de imóveis, Fischer diz esperar estabilidade, com correção pela inflação.
 
Em 2014, a MRV elevou lançamentos em 23%, para RS 4,34 bilhões. As vendas brutas cresceram 18%, para o valor recorde de R$ 6 bilhões. Com distratos de R$ 1,45 bilhão, a companhia teve vendas líquidas de R$ 4,56 bilhões. Segundo Fischer, os distratos deixaram de preocupara companhia desde que o repasse na planta passou a ser adotado no ano passado. "O distrato deixou de ser minha maior preocupação porque fechei a torneira", diz o executivo.
 
Os distratos de 2014 refletem vendas dos dois anos anteriores. No ano passado, o repasse na planta chegou a 80% das vendas, e a companhia estima que ficara próximo a 100% no fim de 2015. A MRV projeta entregas de empreendimentos semelhante à de 2014.
 
Nos planos da MRV, está manter sua dispersão geográfica. A companhia acaba de entrar em duas novas cidades catarinenses -Jaraguá do Sul e Itajaí-, que se somam a outros 132 municípios do país nos quais está presente.
 
A programação de investimentos da companhia para 2015 independe de a terceira fase do Minha Casa, Minha Vida ser lançada neste ano. "Boa parte dos nossos investimentos está comprometida. Se a terceira fase for anunciada em 2015, talvez tenhamos de acelerá-los", afirma.
 
A incorporadora atua, principalmente, na faixa 2 do programa habitacional. A companhia vai avaliar sua entrada na chamada Faixa 1 FGTS. O setor espera que esse novo segmento combine incentivos das duas primeiras faixas do programa, com parte dos recursos do Tesouro Nacional e outra fatia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e que seja anunciado na terceira fase do Minha Casa, Minha Vida.

Fonte: Valor Econômico, por Chiara Quintão.