Nº 21 mai/jun 2013

Finanças

Quanto custa seu e-mail?

Seu e-mail está à venda e não custa nem um centavo. Sabe aqueles milhares de propagandas que chegam diariamente à sua caixa de entrada sem que você tenha pedido para receber? Os famosos spams quase sempre têm origem em algum cadastro que você fez em uma loja, que se espalhou pela internet como uma praga. Os spammers adquirem esses e-mails e reúnem uma lista enorme deles para vender por um bom preço aos interessados em divulgar um produto de forma “fácil”. Por causa disso, você, que nem sequer sabe que “vendeu” seu endereço, acaba sendo invadido por milhares de indesejadas mensagens.
Os spammers utilizam diversas formas para obter esses endereços, seja através da compra de bancos de dados de empresas ou produzindo as próprias listas a partir de programas maliciosos. Nos últimos dois anos, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.BR) –  mantido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil  –  recebeu mais de 47 milhões de denúncias de spams. No primeiro trimestre deste ano, foram 369 mil mensagens denunciadas.

Prática abusiva
Na internet, é possível encontrar várias ofertas tentadoras de compra de mailings. Um deles oferece 120 milhões de e-mails por apenas R$ 49,90 e ainda ensina como extrair novos e-mails e enviar mensagens a eles. As ofertas denunciam a prática abusiva: “Temos somente endereços de clientes cadastrados em grandes sites”, dizia um anúncio de venda de spams. Alguns até segmentam as listas por cidades e grupos de pessoas. Outros oferecem o serviço para divulgar as mensagens diariamente a milhões de e-mails e cobram mensalidades de R$ 100 a R$ 1.500.
Quem já recebeu vários desses anúncios foi Gustavo Borja, proprietário de um site de compras coletivas. “Por respeito aos clientes, só enviamos mensagens aos usuários cadastrados em nossa página. Sabemos que muitos compram essas listas e acabam prejudicando todos os sites, porque as pessoas ficam com raiva e apagam os e-mails”, lamenta. Com o esquema de mandar ofertas diárias, numa concorrência acirrada, os sites de compras coletivas fizeram aumentar a quantidade de spams na internet nos últimos anos. Em apenas seis meses, surgiram mais de duas mil empresas do ramo no país.

Crime
Ainda não existe uma lei que criminalize a prática de vender e-mails. Mas o advogado especialista em direito de internet Bernado Grossi explica que é possível reclamar por “violação da intimidade” e os estabelecimentos podem ser punidos por isso. “Os dados pessoais do indivíduo não podem ser livremente acessados e manipulados por terceiros. A comercialização sem prévia ciência do consumidor é uma infração às normas do mercado e a pessoa pode fazer uma representação ao Procon”, explica.
Os problemas gerados pelos spammers podem ir muito além de uma mensagem indesejada. Além de lotar a caixa de entrada e impedir que cheguem e-mails importantes, eles podem deixar os internautas expostos a hackers e funcionários mal-intencionados, que usam também os dados financeiros do cliente. De acordo com a cartilha de segurança disponível no site www.cert.br, os spams podem trazer vírus aos computadores e têm sido muito usados para disseminar esquemas fraudulentos. O usuário é levado a acessar páginas clonadas de instituições financeiras e fornecer informações como dados de cartão de crédito.

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