Só, somente só
| Roberto Ângelo
A decisão de sair da casa dos pais e morar sozinho começa com muitas expectativas e um punhado de desafios. É, por um lado, a tão sonhada liberdade e independência: definir os afazeres e horários, comer o que quiser e onde quiser, convidar alguém na hora que tiver vontade... Porém, de repente, encarar o fato de ter que comandar o ninho sozinho não é nada fácil, em especial para homens que enfrentam pela primeira vez uma grande dose da realidade doméstica.
No início, foi difícil para o brasiliense Paulo Fernando Seabra, de 26 anos. A decisão de morar por conta própria aconteceu há três anos, quando o pai, com quem ele dividia o apartamento, se casou pela terceira vez. “Decidi ficar onde vivíamos e ele foi morar com a nova esposa”, recorda. A principal dificuldade, além de assumir todas as despesas, foi fazer as compras. “Eu ia apenas uma vez por mês ao supermercado, mas os produtos acabavam antes do término daquele mês. Era obrigado a recorrer ao mercadinho do bairro, pagando muito mais caro”, lembra.
Foram seis meses de tentativas até Paulo conseguir acertar o volume de compras. Um primo, que também mora sozinho, deu a ele dicas valiosas, como não estocar pão de forma, porque certamente o produto vai se perder antes do fim do mês. Aos poucos, ele foi se arranjando. Semanalmente, Paulo conta com a ajuda de uma diarista para colocar o apartamento em ordem. A importância do serviço ficou definitivamente comprovada quando a profissional pegou dengue e se afastou 20 dias da função. “Fiquei em apuros! Minhas roupas acabavam e eu não sabia nem como começar a lavar”, confessa.
Parece brincadeira, mas Paulo teve que recorrer à internet para aprender como operar a máquina de lavar que tinha em casa. “Pesquisei no youtube e encontrei um vídeo demonstrativo da máquina com o mesmo modelo da minha. Aprendi, inclusive, a separar roupas brancas e coloridas!”, brinca. Mesmo já acostumado com a total liberdade em seu apartamento, Paulo tem planos de dividir a vida com outra pessoa. “Quero me casar um dia. Sei que terei que ceder e abrir mão de algumas liberdades que a vida de solteiro permite. Claro que alguns hábitos vão fazer falta, afinal, escutar música no volume que quiser e ser o único dono do controle remoto da TV é muito bom!”, brinca.
Forte tendência
A rotina doméstica complicada não tem atrapalhado o surgimento de novos moradores solitários. Números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado, revelam que 11,6% dos 56 milhões de domicílios do Brasil são habitados por apenas uma pessoa. A proporção entre homens e mulheres que moram sozinhos é praticamente igual (49,6% de homens e 50,4% de mulheres). Segundo o IBGE, morar só é uma tendência cada vez mais forte nas metrópoles modernas. No país, as cidades do Rio de Janeiro e Porto Alegre superam a média nacional de famílias unipessoais (com apenas um indivíduo) com 16% e 14,9%, respectivamente.
Isso não acontece apenas nas capitais. O engenheiro Renato Zica, aprovado há três anos em um concurso público, foi morar sozinho no interior de Minas Gerais. “Foi um impacto muito grande, porque eu não tinha intenção de deixar a casa da minha família”, afirma. Ele não esconde o despreparo para a rotina de solitário: “Nunca soube fritar um ovo e nem lavar roupa. A comida que eu comprava sempre ficava vencida”.
Renato também conta com uma diarista. “Além de limpar a casa, ela lava minhas meias e roupas íntimas. As outras roupas, mando para uma lavanderia ou levo para minha mãe lavar quando vou visitá-la”, diverte-se. Para se alimentar, a opção foi a mais “prática”: leite apenas de caixinha e muita comida congelada. “Eu tinha problema com maionese e catchup, que sempre ficavam fora de validade com os potes ainda cheios. Agora, se você abrir minha geladeira, verá que ela está vazia, justamente para não perder nada”, ironiza.
Mas a vida de solteiro independente fez o engenheiro refletir e planejar soluções para os problemas causados pela inexperiência. “Penso em fazer um curso de culinária e comprar uma máquina de lavar roupas”, diz, acrescentando que, quanto à limpeza do apartamento, continuará terceirizando o serviço. Para ele, as mulheres se saem melhor quando o assunto é morar sozinho. “A diferença é gritante. As casas de algumas amigas que moram sozinhas parecem de fato um lar. Já a casa da maioria dos homens que conheço se resume a uma geladeira, sofá e televisão”.
Além-mar
Em novembro passado, o psicólogo Diogo Lana deixou a casa do pai para fazer mestrado em Portugal. Aos 30 anos, essa foi a primeira experiência dele longe do lar paterno. A aventura, avalia, tem sido muito interessante e cheia de descobertas. “De cara aprendi a dar valor àquelas coisas que costumamos menosprezar. O trabalho que dá para arrumar a casa, preparar a comida, lavar roupa e tudo mais”, conclui o psicólogo que mora em um pequeno apartamento em Lisboa.
Apesar da inexperiência, Diogo carrega o gosto pela culinária. “Sempre gostei de fazer uma comidinha, mas nunca rotineiramente. A maior parte das minhas refeições é preparada por mim, em casa. Além de gostar de fazer, não tenho dinheiro para comer na rua com frequência”, conta.
Quanto à lavagem das roupas, o mestrando admite que ainda está em processo de aprendizado. “A máquina de lavar facilita bastante. Uma coisa importante que aprendi foi a decifrar alguns daqueles ícones das etiquetas das calças e camisas. Eles explicam como cada peça deve ser lavada. A combinação manual da máquina e etiqueta faz milagres!”, festeja, destacando que, de todos os afazeres da vida só, o único a que ainda resiste é lavar o banheiro. “É algo bem pessoal, afinal, o banheiro é pequeno e nem é tão difícil de limpar. Mas acho um trabalhinho nojento. Neste caso, é como dizem: ‘Se eu não fizer, não tem quem faça’”.
Kit Sobrevivência
Nada é mais simples do que preparar pipocas no microondas. Não gasta óleo, sal, gás e nem suja panela! Praticidade do mais alto nível, alimentação nem tanto... Mas é bom para acompanhar aquele filminho no DVD.
A linha Hot Pocket da Sadia é a grande tábua de salvação dos solitários.
Os produtos foram feitos para esta clientela ávida por alimentos oferecidos em porções reduzidas e fáceis de preparar. Destaque para as fatias de pizza individuais. Chega de comida mofando na geladeira! O despertador dispara! É hora de trabalhar e nada daquele café quentinho que a mamãe costumava preparar. Ao invés de lamentar, compre os Sticks de café. São saquinhos que contêm uma porção na medida do cafezinho. Esquente um pouco de água (pode ser no microondas) e misture. Pronto!
A turma de amigos toca a campainha. O que servir para o pessoal? Além de chegar sem avisar, eles só trouxeram as bebidas! Calma, tenha sempre umas batatas fritas congeladas na geladeira. Elas já estão fatiadas e pré-cozidas. Basta colocá-las no óleo quente e voilá! Tira gosto digno dos melhores botecos!
Os biscoitos salgados da marca Club Social oferecem uma enorme variedade de sabores. Além disso, a alta durabilidade do produto transforma os pequenos petiscos em amigos de todas as horas