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| Joana Suarez
Imagine a cena: 40 mulheres num restaurante conversando sobre casamento! Quem estava de fora não entendia a confusão, porque todas falavam euforicamente ao mesmo tempo. Era a primeira vez que a maioria se via pessoalmente, o que não foi empecilho para se considerarem amigas de longa data. Sim, virtualmente elas já são íntimas, pois se encontram com frequência no Cantinho das Noivas de Minas, uma comunidade do Orkut, a rede de relacionamento mais famosa no Brasil.
Se a internet era, até então, suspeita de tornar as relações impessoais e passivas, as noivas do Cantinho e outros milhares de exemplos provam o contrário. São inúmeras as histórias que começam no mundo virtual e criam fortes laços reais. Páginas de bate-papos, blogs e redes sociais online explodiram na última década, ampliando as possibilidades de relacionamento entre internautas de todos os lugares do mundo. Existem mais de 300 sites que compartilham perfis pessoais na web, como MySpace, Linkedin, Facebook e Twitter. A maioria deles permite postar fotos, vídeos caseiros, músicas e informações básicas (nome, local, sexo, idade, hobbies e filmes preferidos).
Para a chamada “geração internet”, as redes sociais são muito mais do que uma forma de manter contato. Além de encontrar amizades e conhecidos antigos, o ciberespaço liga pessoas com interesses em comum e muitíssimo variados. Anônimos, famosos e, mais recentemente, políticos em campanha já aprenderam a utilizar os benefícios dos serviços de comunicação online. Hoje, um número significativo de empresas aderiu à nova maneira de se relacionar com o público, criando perfis nas redes sociais para monitorar informações e divulgar a marca.
Rede de contatos
A pernambucana Ana Paula de Castro mantém uma lista de contatos pessoais na web e aproveita as redes sociais para fazer networking e se atualizar. “Hoje, nas palestras e cursos que participo as pessoas não trocam mais cartões de visitas, elas dão seus contatos nas redes sociais ou pedem para adicioná-las em grupos de discussão. Numa entrevista de emprego, fiz amizade com cinco garotas de outras cidades e, desde então, trocamos informações sobre vagas de trabalho”, conta ela, confessando que não consegue ficar um dia sem dar aquela “olhadinha” nas redes.
Pelo celular, Ana Paula pode ficar online em qualquer lugar. O vício é tanto que já deixou de curtir um show inteirinho porque estava entretida no MSN durante o espetáculo, mas garante que evita acessar a rede quando está com os amigos numa festa ou no cinema. Em dezembro do ano passado, ela se juntou a um grupo de 10 pessoas para participar do Amigo secreto dos twitteiros de Pernambuco. Depois de se conhecerem pessoalmente, eles continuaram mantendo contato e agora estão organizando o Amigo Secreto Ano II.
Novos hábitos
A internet foi capaz de desbancar muitos conceitos e, é verdade, também criar muitos problemas. Mas a verdade é que o meio virtual vem interferindo nos hábitos e mudando comportamentos a cada dia. Um estudo realizado recentemente pela comScore- empresa de pesquisa de mercado – aponta que as mulheres, principalmente aquelas com mais de 45 anos, estão mais conectadas nos sites sociais, gastando 30% a mais de tempo por mês do que os homens.
A paulista Fernanda Viola faz parte do time que utiliza as ferramentas sociais da web para aumentar o círculo de amizades. Ela conheceu um ex-namorado, com quem ficou por mais de três anos, no site de relacionamentos Messenger. Eles conversaram muito pela web antes de se conhecerem pessoalmente e viverem uma bonita história juntos. “Eu sou um exemplo de que as redes sociais aproximam as pessoas. Sou bastante viciada, tenho Orkut, Twitter, Formspring e Facebook”.
Luciana Dias, de Minas Gerais, acredita que a internet é uma possibilidade para se conhecer pessoas do Brasil e do exterior.
Recentemente, jogando poker online ganhou um amigo na Alemanha. “Gosto de conversar com o meu amigo alemão porque é uma oportunidade de aperfeiçoar meu inglês. Todas minhas experiências com relações virtuais foram muito boas”, destaca. Para ela, conhecer pessoas na rede é muito mais fácil, sobretudo para os tímidos, que se sentem mais à vontade para se aproximar. “Uma vez, conheci dois paranaenses numa comunidade sobre bike. Eles se tornaram meus amigos confidentes e um deles já veio pedalar comigo em Sete Lagoas”, conta.
Do virtual para o real
As comunidades virtuais são criadas para reunir pessoas com o mesmo interesse. É o caso do Cantinho das Noivas de Minas, fundado em 2006 por mulheres já prestes a se casar que se tornaram grandes amigas ao compartilharem os preparativos da cerimônia. Com o tempo, a comunidade se tornou referência até para pedir “socorro” quando a aflição bater. Renata Galvão conheceu o grupo em 2007 e foi noiva durante 1 ano e 9 meses, tempo suficiente para escrever bastante e ajudar com detalhes do grande dia.
Mesmo depois de casada, Renata continua dando uma mãozinha. “Coloquei o passo a passo de umas forminhas de bombom que inventei na comunidade e várias noivas já utilizaram. Normalmente, as que vão se casar numa mesma época se tornam grandes amigas, porque vivenciam as mesmas ansiedades e angústias”, explica.
Qualquer que seja a intenção, verdade seja dita: é possível fazer grandes amigos através das redes sociais. Rosânia Souza e Priscila Alcântara descobriram o gosto em comum pelo jornalismo e passaram a conversar constantemente num site de bate-papo. Depois de um tempo, elas se encontraram na faculdade e a afinidade aumentou com o contato no mundo real. “Graças à internet, encontrei uma amiga tão especial e tenho certeza que vamos nos encontrar sempre”, aposta.
Caia na rede
MySpace: Criada em 2003, é uma rede mais aberta. Você pode entrar em contato com pessoas de toda a rede, mas só terá acesso às informações completas do perfil do outros se eles concordarem e aceitá-lo. É um bom canal para conhecer novas bandas, diretores e humoristas.
Facebook: Lançado em 2004, o site de relacionamento é focado em formar grupos, pois é possível encontrar pessoas e amigos que estão em uma das "redes" existentes do usuário, com quem trabalham, estudam ou vivem. Começou como um aplicativo de rede social de uma faculdade, restrito aos estudantes.
LinkedIn: Fundada em 2002, é uma rede de negócios para trocar informações e oportunidades profissionais. Ideal para aumentar contatos para trabalhos (networking), o site permite acesso aos perfis completos dos nomes que estão na rede do usuário, além de apresentá-lo a pessoas que estão até três níveis de distância na rede maior da Linkedln. Você pode preencher um currículo com uma breve descrição das suas habilidades.
Orkut: Criada pela Google em 2004, é a rede social mais acessada pelos brasileiros e tem uma forma mais simples de utilização. O usuário possui uma página pessoal, pode convidar amigos dos amigos dos amigos, criar comunidades online, enviar recados e mensagens instantâneas para todos os contatos. Os recursos mais utilizados são a página de recados e o álbum com número ilimitado de fotos, tornando-se quase que um diário online.
Twitter: Uma espécie de microblog que nasceu em 2006 e se tornou febre mundial. Trata-se de um serviço de troca de mensagens curtas, com até 140 caracteres (conhecidas como tweets), que tem grande visibilidade. Os “tuiteiros” enviam e recebem atualizações pessoais em tempo real, que são exibidas para a lista de seguidores, replicando a informação para um elevado número de usuários.