Nº 21 mai/jun 2013

Espetáculo

Morra de rir

Nada de figurino, peruca e personagens. Com eles é de cara limpa. Apenas a solidão de um tablado e um microfone. No mais, a missão é fazer rir. E o melhor é aquele que arranca mais aplausos e gargalhadas da plateia. Originária do rádio norte-americano no início do século passado, a comédia stand up teve sua passagem pioneira no Brasil em meados de 1960, com Chico Anysio e Jô Soares sendo aplaudidos de pé e conquistando fama. Cinquenta anos depois, sem as rédeas de generais para censurá-los, uma nova escola de humoristas se forma, tendo ainda a ajuda da televisão e, sobretudo, da internet para sair do anonimato.
Na abertura dos shows, eles se vangloriam de ter ido a programas dominicais de tevê. Uns dizem que enfrentaram o júri da Ana Hickmann, enquanto outros revelam ter se virado nos 30 no Faustão. Apesar da audiência da televisão aos domingos, é na internet que eles se promovem e ganham fama país afora. As apresentações em bares são gravadas e retransmitidas em sites de vídeo, garantindo que sejam vistos nos quatro cantos do mundo. Se agradarem, o número de exibições pode equivaler-se a um estádio de futebol lotado, ou a 500 apresentações em bares com casa cheia. 
É o caso do humorista curitibano Márcio Silva. Ele iniciou a carreira com vídeos postados no site Podrir e, com o sucesso, não demorou a ser convidado para se apresentar na noite da capital paranaense. De lá para cá, o analista de treinamentos conquistou espaço na cena de humor, dedicando boa parte de seu tempo à criação de textos, ensaios, apresentações e gravação de programas para internet. "Quanto à difusão, acredito que o YouTube seja uma ferramenta poderosa para divulgação do trabalho de comediantes de stand up. Sempre coloco todos os trabalhos que faço na rede; aumento, assim, a vizualização", afirma o humorista.

Ídolos da vez

O objetivo de Márcio e tantos outros que aderem à postagem de vídeos na rede é tentar alcançar o sucesso de Rafinha Bastos, Danilo Gentili e companhia limitada. Principais nomes do formato stand up no país, eles lograram status de ídolo com suas piadas "rasgadas" –  e que, para alguns, às vezes excedem o limite da razoabilidade e do respeito. Com centenas de apresentações postadas, eles ultrapassam, na maioria, a barreira de 1 milhão de visualizações.
Mas a acidez das piadas não é suficiente para atingir tal status. Tanto desenvoltura e improvis quanto presença de palco são características essenciais para que o humorista tenha êxito em suas apresentações de cara limpa. Isso porque cada público reage de forma bem diferente ao texto e é preciso saber conduzi-lo de acordo com idade, região e outros fatores. "Geralmente quem faz a abertura do show já consegue ver a temperatura da plateia. Se o público for mais velho, teremos que maneirar nos palavrões; se for mais jovem, podemos incluir mais piadas de relacionamento e de conotação sexual. Porém é em cima do palco que vamos saber qual o rumo que o show deve tomar", garante Márcio.
A maior parte do que se vê sobre o palco, entretanto, é ensaiada detalhadamente. A ordem das piadas pode influenciar diretamente na aprovação ou não do público. Assim, uns preferem abrir o show com uma piada de impacto, enquanto outros preferem conquistar a plateia aos poucos, deixando uma carta na manga para o final, o que pode render uma sequência de alguns minutos de aplausos. "Sempre sei a primeira e a última piada. As demais, entro com um roteiro que pode ser mudado de acordo com as reações", afirma Gabriel Freitas, integrante do grupo mineiro Queijo, Comédia e Cachaça, pioneiro do stand up comedy em Belo Horizonte.

Espetáculo 1

Os humoristas Gabriel e Edgar: o importante é a reação do público, de preferência com risos efusiv


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