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19/11/2019

A meta é democratizar o acesso à energia solar

No ano passado, 60% dos empreendimentos lançados pela MRV Engenharia contavam com painéis fotovoltaicos. A meta é chegar a 100% até 2022

A MRV Engenharia, de Minas Gerais, começou sua trajetória construindo uma casa de alvenaria no bairro de Vila Clóris, região norte de Belo Horizonte, há 40 anos. A receita com a venda da casa possibilitou a construção de três novas habitações populares.

E a MRV não parou mais. Impulsionada pelo programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, lançou dezenas de milhares de imóveis populares e tornou-se a maior construtora residencial do país: possui casas e apartamentos em mais de 160 cidades brasileiras. Nesse percurso, um dos maiores orgulhos da companhia é seu papel na democratização do acesso à energia solar. Em 2017, 30% dos empreendimentos lançados pela MRV contavam com painéis fotovoltaicos.

No ano passado, o índice subiu para 60%. E a meta é chegar a 100% até 2022. Para isso, a MRV pretende investir 800 milhões de reais até lá. “O objetivo é garantir à população de baixa renda e com limitações de crédito a experiência de usufruir energia limpa e incentivar a preocupação com o meio ambiente”, diz Eduardo Fischer, presidente da MRV.

Quando a empresa alcançar a meta, a geração anual de energia de seus empreendimentos será da ordem de 316 gigawatts-hora, o correspondente ao consumo de uma cidade de 121.000 habitantes. A MRV planeja construir usinas fotovoltaicas em Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Bahia. “Muitas pessoas ainda não sabem o que é energia fotovoltaica e nós levamos esse conhecimento à população. Temos feito divulgação nos condomínios e entre os síndicos”, diz Luis Henrique Capanema, gestor executivo de relações institucionais e sustentabilidade da MRV. A instalação dos painéis fotovoltaicos permite uma redução de até 80% na conta de luz dos moradores.

Assegurar o acesso a uma fonte limpa de energia é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma agenda de 17 itens aprovada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em 2015, com metas a ser alcançadas por todos os países até 2030. A MRV começou a trabalhar com os ODS em 2016. No ano passado, mapeou 33 áreas da empresa para avaliar o impacto de cada ODS por setor e capacitou os líderes de suas equipes. O resultado foi a criação de um Mapa de Afinidades, alinhando cada área a um ODS específico. O trabalho ainda está no início, mas a ideia é servir de exemplo. “O fato de a maior empresa de construção civil trabalhar com ODS vai levar o resto do setor a fazer o mesmo”, afirma Fischer. “É o que está acontecendo com a energia solar. Vários concorrentes nos procuraram para entender nosso trabalho nessa área.”


APÓS AS ADVERSIDADES, UM NOVO RECOMEÇO

A empresa que surgiu com a reorganização do Grupo Camargo Corrêa após a Lava-Jato quer deixar um legado positivo para as comunidades no entorno de suas obras | Katherine Rivas

Criada em 2017, a Camargo Corrêa infra é resultado da reorganização dos negócios da holding Camargo Corrêa depois de sua empreiteira fechar o acordo de leniência pelo envolvimento no escândalo da Operação Lava-Jato. A CCInfra, como é conhecida, passou a cuidar dos novos projetos de infraestrutura do grupo, desvinculando-se das investigações em andamento. Segundo Januário Dolores, presidente da CCInfra, o propósito da nova empresa é trabalhar dentro de padrões éticos e entregar obras de infraestrutura sustentáveis. “Entre os indicadores mapeados pela companhia, decidimos que dois terão prioridade: o desenvolvimento social e o desenvolvimento ambiental”, afirma Dolores.

Antes de assinar qualquer contrato de obra, a CCInfra realiza um diagnóstico em cada região, levantando os indicadores sociais, econômicos e de segurança. É um trabalho complexo. “Nas áreas em que atuamos sempre existe vulnerabilidade social e lidamos com ambientes onde há tráfico de drogas. Por isso procuramos aplicar programas preventivos”, diz Fabio Rocha, diretor de sustentabilidade da empresa.

Para estimular a economia no entorno das obras, a CCInfra procura contratar fornecedores locais, gerando empregos nas comunidades. Hoje, em todas as obras em andamento, cerca de 70% da mão de obra é contratada entre moradores da localidade e das imediações.

Com dois anos de vida, a empresa ainda não publicou um relatório de sustentabilidade — isso está previsto para 2020 —, mas já tem alguns números para exibir. Em 2018, economizou 240?000 quilowatts-hora de energia elétrica nos canteiros de obra, reutilizou 10.000 toneladas de resíduos sólidos e neutralizou a emissão de 9?400 toneladas de carbono, o correspondente à preservação de 58.000 árvores.

Uma empresa do porte da CCInfra tem o potencial de estressar a demanda por água devido ao uso intenso desse recurso. Ciente disso, a companhia adotou várias medidas ao longo de 2018 para aumentar o reúso de água, incluindo o aproveitamento da proveniente da chuva e do ar-condicionado. Com isso, economizou um total de 446 milhões de litros de água, o suficiente para abastecer uma cidade de 50.000 habitantes por 90 dias. Para aumentar ainda mais esse volume, a CCInfra começou a testar uma máquina que retira a umidade do ar e a transforma em água potável. Está desenvolvendo também um equipamento que transformará resíduo orgânico em biogás e fertilizante agrícola. “Estamos investindo 12 milhões de reais para implantar esse projeto nas comunidades que desenvolvem hortas para sustento próprio”, diz Dolores.

Fonte: EXAME

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