Nº 30 nov/dez 2014

Entrevista

Na Hora Certa

Essa ruiva de 27 anos diz que já nasceu atriz. “Era a minha paixão, eu ficava interpretando para os amiguinhos e para a família”, conta Laila Zaid. No entanto, para não contrariar a família, tradicional, só começou a estudar teatro quando estava na universidade. Laila tem no nome a homenagem do pai à música Layla, de Eric Clapton; já o sobrenome é da  família judia alemã, que no Brasil trocou o complicado Zajdenweber por Zaid.
Formada em Publicidade pela PUC-RJ (e com planos de no futuro cursar antropologia), Laila chegou a trabalhar em agência, mas largou a profissão para seguir carreira diante das câmeras. Estreou na televisão aos 20 anos, como a garçonete Bel, de Malhação, e, depois de uma passagem pela Record, está de volta à Rede Globo, onde vive a personagem Priscila, em Amor, Eterno Amor.
Seu talento não está restrito (ou limitado) à telinha. Laila já viveu experiências no teatro e no cinema. Numa conversa descontraída, entre uma gravação e outra da novela, ela contou à Revista MRV um pouco de sua história, sobre a importância da família em suas decisões, a forma natural com que lida com a fama e muito mais. A energia revelada em cada resposta e os elogios dos que passavam por ela deixam evidentes o carisma e o talento da atriz.

Revista  MRV: O fato de você já ter experiência com comunicação facilitou essa mudança  para o mundo artístico?
Laila Zaid: Eu acho que a experiência de uma faculdade é sempre muito válida. Eu me sinto mais preparada. E o fato de eu ter feito comunicação me dá mais leveza em situações de entrevistas, por exemplo.

Revista  MRV: Sua primeira participação em TV foi em Malhação, com a personagem Bel. Como sua família e amigos reagiram quando te viram na televisão?
Laila Zaid: Quando eu passei no teste de Malhação e avisei em casa, minha mãe ficou chocada: “Você não vai”. O meu pai já curtiu, e meu irmão, que na época tinha por volta de 13 anos, adorou. Imagine, ele era bem o público-alvo. Os meus amigos ficaram animadíssimos, adoraram. Eu era a única da escola que estava na televisão, foi um barato, uma curtição. E, em Malhação, a fama e o assédio são muito fortes, porque são os jovens, e você também é jovem, então não tem muito distanciamento. A fama é muito divertida para quem está perto de você. Se não é com você, é divertido (risos).

Revista  MRV: Depois de “Malhação” (2004 a 2006), você foi para a Record, realizou alguns trabalhos lá, e agora está de volta à Globo. Como foi essa passagem de uma emissora para outra?
Laila Zaid: Eu cacei a volta (risos). Quando Malhação terminou, a Globo não renovou meu contrato imediatamente. Nesse momento, meu pai ficou doente, com leucemia, e aí me deu uma certa instabilidade. Meu pai era o provedor da família, ia ficar muito tempo em tratamento. Foi quando a Record me chamou para fazer uma novela, me ofereceu um salário superbacana. Então falei: “Gente, é isso, eu sou artista, isso aqui é um mercado de trabalho”. Depois, a emissora fez um contrato mais longo. Quando esse contrato acabou, pensei: “Sou nova, eu estou começando, não tenho filhos...  Eu poderia experimentar outras coisas ao invés de ficar acomodada em um contrato”. Após uma reflexão com meu marido e minha família, optei por não renovar com a Record para poder experimentar outras coisas. E foi incrível, porque fiz um longa, produzi uma peça... Quando terminei o longa, liguei para o único contato que tinha da minha época de Malhação, a produtora de elenco, e disse a ela que estava querendo voltar. Ela me disse que estava fazendo uma novela, e me chamou para ir lá no dia seguinte. E aconteceu...   
 

Revista  MRV: Em Mandrake, série exibida pela HBO, baseada na obra de Rubem Fonseca (2007), você protagonizou vários beijos com outra mulher. Qual o papel da arte na luta contra o preconceito? 
Laila Zaid: Eu acho que a arte tem um poder enorme na transformação do comportamento. Você vê que se na novela sai um beijo gay, aquele cara em casa diz: “Ah... de repente eu não sou tão esquisito”. O comportamento vai mudando, ainda mais no Brasil, onde a televisão tem uma força enorme no nosso cotidiano. E é a arte que faz isso.
 

Revista  MRV: Você estava em cartaz com a peça Rebeldes - Sobre a Raiva, no Sesc de Copacabana, e, além de atuar, ajudou a produzir o espetáculo. Como foi a experiência?  
Laila Zaid: Essa peça é um texto israelense, e chegou até mim por meio de uma amiga que queria ajuda para produzir... Foi uma experiência que durou três anos até a montagem da peça, e foi quando vi que as coisas são muito mais difíceis, a burocracia é imensa. Tudo bem complicado, mas a gente chega lá. E quando a gente se produz, é um tesão a mais, porque é um filho seu ali.  

Revista  MRV: Atuando em TV, cinema e teatro, o que você destacaria como vantagens ou prazeres de cada um desses meios?
Laila Zaid: Eu gosto dos três. São linguagens diferentes. O cinema, pelo menos os filmes que fiz, foram experiências de mergulho. O cinema tem profundidade, tem um texto, começo, meio e fim. Você sabe qual é o caminho do seu personagem, você constrói cada vírgula. O teatro é um tesão (risos). É cheio de energia, é aquela troca ali... Você está sentindo o que está acontecendo na hora. E a televisão é sagacidade. Você vem aqui (no Projac), faz trinta cenas em um dia, tem que ter uma memória muito boa para decorar texto, para saber as marcas... Tem que estar ligado nas câmeras, na luz... É um jogo, e uma obra aberta. Você fica torcendo, a cada capítulo que chega, para saber o que vai acontecer...  

Revista  MRV: Você participou do longa Somos Tão Jovens, sobre a história do cantor Renato Russo, que será lançado este ano. Qual é a sua personagem no filme, e quanto tempo levaram as filmagens?
Laila Zaid: Ficamos um mês morando em Brasília. Depois, um mês em Paulínia (SP). Foi uma delícia. Foram dois meses de mergulho na vida do Renato Russo. O meu personagem é muito legal, e é o único personagem que não é real. É a mistura de todas as meninas que passaram na juventude do Renato, as amiguinhas, as namoradinhas... O Thiago Mendonça, que faz o Renato Russo, está incrível, e foi uma delícia contracenar com ele. Foi uma experiência maravilhosa, um monte de jovem e muito rockn’roll.

Revista  MRV: Fama e sucesso são diferentes? E o que você busca? 
Laila Zaid: São diferentes, e com certeza o que eu busco não é a fama (risos). Eu busco o sucesso em forma de reconhecimento, principalmente do mercado. Assim, eu quero que as pessoas olhem e falem: “Essa menina sabe atuar, ela é uma atriz. Eu posso contar com ela”. E quero que os trabalhos apareçam. Se eu buscasse a fama eu estaria pensando mais assim: “Eu quero ser uma protagonista, eu quero estar na capa da revista, eu vou fazer esse evento para aparecer...” E isso já não é a minha onda. Eu acho que a fama é uma consequência, e você lida com ela da melhor ou pior forma. Enfim, o meu objetivo é estar sempre trabalhando, e em cada trabalho poder mostrar serviço.    

Revista  MRV: O que mais você gosta de fazer quando não está atuando?
Laila Zaid: Eu gosto de viajar, de ir à praia com meus amigos, meu marido, meu irmão. E eu gosto muito de ler, de cinema, de consumir arte e estar com pessoas legais. E eu gosto muito de dançar e de dormir (risos).

Entrevista1

Laila Zaid


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