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20/09/2009

Respeito ao meio ambiente é marca da construção civil

Em Niterói, três obras em andamento estão usando a tecnologia: o Hospital Icaraí, no Centro; Residencial La Brisa, em Piratininga; e um edifício comercial na Avenida Roberto Silveira, em Icaraí.

A tecnologia citada pelo engenheiro é chamada Plasterit, substituindo a folha de Madeirit. Trata-se de uma peça plana, feita de plástico reciclado que, encaixada em uma malha reticulada, substitui o compensado de madeira na construção. O material tem uma durabilidade maior do que o compensado de madeira e, se quebrar, pode ser reciclado novamente. Além disso, será reutilizado na obra seguinte.

De acordo com o presidente do conselho fiscal da Ademi Niterói e um dos responsáveis pela Incorporadora e Construtora Equipe, Ronaldo Gabry, existem muitas possibilidades na construção civil para a aplicação desses conceitos de responsabilidade ambiental.

"Para lajes de concreto utilizamos as formas de plástico, que podem ser utilizadas várias vezes e garantem gastos menores", comenta Gabry.

Hidrômetro
Ele lembra também que outros investimentos, na mesma linha de sustentabilidade, já vêm sendo feitos em algumas das novas construções, como hidrômetro individualizado por unidade habitacional, sinalizador de presença (que faz com que a luz dos corredores acendem e apaguem mediante a presença de alguém), reúso de água potável nos condomínios. Outra possibilidade tem sido a instalação de sensores de energia solar.
Apesar das novas tendências, Ronaldo Gabry avalia que, no caso dos edifícios antigos, as adaptações podem ser mais difíceis:
"As modificações em prédios residenciais ou comerciais exigirão dos condôminos uma série de investimentos, já que as mudanças, apesar de muito positivas, podem gerar custos bem altos, como a adaptação de hidrômetros individuais".

Águas
Segundo o consultor para tecnologia de medição individual e remota da Agência Nacional de Águas (ANA), Ferdinando Guerra, os transtornos que envolvem as instalações é a maior preocupação dos síndicos.
Para o diretor executivo da Águas de Niterói, Cláudio Abduche, a substituição dos medidores em prédios residenciais ou comerciais não deve ser vista apenas como alternativa para reduzir o gasto na conta mensal de cada unidade.
O diretor executivo da concessionária ressalta também que a separação de hidrômetros facilita a administração do condomínio por parte do síndico. Em Niterói é cobrada tarifa mínima com base em consumo de 15 mil litros para residência e 10 mil litros para imóvel comercial.
A respeito de todas as novas alternativas para a construção de imóveis ecologicamente corretos, a MRV Engenharia, responsável pela construção do condomínio Niterói Garden, no Barreto, garante não se tratar de uma tendência e sim de uma necessidade do momento.
A assessoria da construtora esclarece que algumas técnicas são utilizadas para diminuir os danos ao meio ambiente, como o sistema em alvenaria estrutural paginada, um processo que elimina desperdícios e entulhos na obra, já que os blocos de concreto são pré-moldados e formam um conjunto, o que permite que as paredes dispensem itens como formas e consumo excessivo de aço.
Outro fator utilizado pela MRV é a padronização dos projetos arquitetônicos, ou seja, todos os projetos seguem o mesmo padrão, em todas as cidades onde a empresa atua, o que permite baixa geração de resíduos nos canteiros de obras. O reaproveitamento de água da chuva também é um método aplicado.

‘Tendência será obrigação’
As novas tendências que estão modificando o planejamento do setor da construção civil podem ser resultantes, menos do que da adoção livre pelas empresas, e mais da exigência que vem dos consumidores. Estes estão mais atentos aos projetos oferecidos, conscientes que se deve preservar o meio ambiente e usar melhor os recursos naturais.
Esta é a conclusão do diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gerônimo Emílio Almeida Leitão, para quem "existe um processo de construção de consciência no consumidor, que já reflete no comportamento das incorporadoras".
"O tipo de cobertura adotada nos tetos dos edifícios, as possibilidades de tratamento da água, entre outros fatores, não são apenas possibilidades, mas exigências dos consumidores conscientes, sobre o local para morar. As empresas já entendem isso e oferecem projetos sustentáveis", comenta o diretor.
As construtoras devem avaliar os custos a longo prazo. É o que ele explica:
"Talvez ainda sejam mais altos, entretanto, a longo prazo a economia será bem maior. Além disso, sempre existem alternativas. Investimentos imobiliários podem ser construídos em regiões privilegiadas pela natureza, em que o próprio morador passa a ser mais responsável pelo meio ambiente que o cerca".
Gerônimo Leitão ainda conclui que investimentos deste tipo deixarão de ser tendência para se tornar obrigação, e para isso é fundamental a participação de uma gestão pública mais atuante.
"As ações governamentais ainda são muito discretas no que se refere à construção sustentável, mas embora ainda não seja com a velocidade desejada, acredito que haverá um redimensionamento no processo de investimento imobiliário por parte dos governos", conclui.
 

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